Novo saque do FGTS

No fim do mês de julho o governo assinou a MP 889 de 2019, medida provisória acerca do saque de contas ativas e inativas do FGTS. As novidades para o (a) trabalhador (a) são em relação aos saques que poderão ser feitos em 2019 e 2020.

Os saques realizados a partir de setembro de 2019 terão um limite de R$ 500,00 reais em contas ativas, aquela do emprego atual, e inativas, de empregos anteriores que ainda contiverem dinheiro. Essa modalidade equivale a cada conta vinculada no nome do (a) trabalhador (a), por exemplo, se ele (a) possui uma conta com R$ 700 e outra com R$ 800, o valor que poderá sacar é de R$ 1000, pois é permitido retirar apenas R$ 500 de cada uma.

A partir de abril de 2020 o formato será de saque aniversário, onde o trabalhador poderá realizar um saque anual do FGTS no mês de aniversário e nos dois meses subsequentes, mas há algumas especificidades que devem ser levadas em consideração. O trabalhador que optar por esse saque não poderá sacar todo o dinheiro em caso de demissão, mas sim apenas os 40% de multa rescisória, além disso poderá retornar à modalidade tradicional de saque somente dois anos depois.

As contas do FGTS terão uma porcentagem disponível baseada no saldo da conta, com os maiores valores há uma alíquota menor disponível para o saque e uma parcela adicional.

Confira abaixo os valores, as porcentagens e as parcelas adicionais de cada caso:

Saldo na ContaPorcentagem
disponível
Parcela adicional
Até R$ 500 50% R$ 0
De R$ 500, 01 a R$ 1.000 40% R$ 50
De R$ 1.000, 01 a R$ 5.000 30% R$ 150
De R$ 5.000, 01 a R$ 10.000 20% R$ 650
De R$ 10.000, 01 a R$ 15.000 15% R$ 1.150
De R$ 15.000, 01 a R$ 20.000 10% R$ 1.900
Acima de R$ 20.000, 01 5% R$ 2.900

O novo cadastro positivo

O cadastro positivo, como o nome já diz, é o contrário de cadastro negativo (SPC e Serasa). O cadastro reúne informações de bons pagadores e não serve apenas para que bancos e lojas vejam se o cliente paga suas dívidas, mas além disso permite saber se o consumidor está sempre com as contas quitadas na data prevista, podendo gerar até linhas de créditos maiores, o que permite ajusta o risco de crédito concedido de maneira personalizada para aquele grupo de pessoas. Além de pagar suas contas sempre o cliente paga sempre em dia, pois pode-se facilitar

Em 2019 o cadastro positivo teve uma grande mudança: agora todos os consumidores serão colocados imediatamente no programa. O projeto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro entrou em vigor no dia 9 de julho e de acordo com estimativas o número de beneficiados saltará de 13 milhões para 130 milhões de brasileiros.

Antes desse decreto o consumidor tinha que ir atrás da inscrição, pois funcionava diferente de órgãos de cadastro negativo, que colocam o nome imediatamente em seu banco de dados. Além disso o sistema de pontos do cadastro positivo é mais importante para a liberação de crédito, indo de 1 a 1000, onde 1 é “menos confiável” e quanto mais alto o número melhor registro de crédito.

Os consumidores que não quiserem teu seu nome adicionado no cadastro podem solicitar às instituições financeiras para retirar seu histórico de pagamento do banco de dados, um direito assegurado.

Qual é a idade ideal para conversar sobre finanças com o filho?

Controlar e entender como utilizar os seus rendimentos é algo complicado e que ainda assusta muita gente. Esse descontrole afeta de forma direta o planejamento financeiro das pessoas. De acordo com pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo (CNC), publicada em janeiro de 2018, o total de famílias brasileiras inadimplentes no país é de 22,9%.

Pensando nisso, é importante que os pais conversem com as crianças para que, logo na infância, elas tenham as primeiras noções sobre finanças.

Entre pesquisadores, não existe um consenso sobre qual seria a idade ideal para começar a falar sobre educação financeira. Porém, uma parcela diz que aos cinco anos já é possível entender os conceitos mais básicos, como o entendimento de quantidades. 

Outro facilitador é tornar o tema recorrente em conversas familiares. Essa atitude faz com que as ideias fiquem mais claras conforme a criança se desenvolve. Um exemplo é o de quando os filhos percebem que com uma nota de 20 reais pode se comprar um ou mais brinquedos.

Entre sete e oito anos, os pais podem iniciar o sistema de mesada. Ao colocar data e valor fixo, que podem mudar de forma progressiva, é possível ensinar a economizar e a planejar os seus gastos.

A partir desse momento, as lições podem evoluir e a noção de quanto custa os produtos é o próximo desafio. Até algumas escolas arriscam a falar sobre o tema. 

TURMA DA MÔNICA

Em 11 de março, a Turma da Mônica e o Sicredi divulgaram três vídeos sobre a educação financeira. Usando os principais personagens de Maurício de Souza, os curtas têm como objetivo orientar as crianças.

Com duração de um minuto e meio, os episódios trabalham os temas de orçamento familiar, de onde vem o dinheiro e a recompensa de quem sabe administrar as contas.

Até o momento, três vídeos estão disponíveis no canal do YouTube da instituição financeira. Confira o resultado dessa parceria: https://bit.ly/2HvcBHa

Novas regras do cartão de crédito: veja o que mudou

A principal alteração é sobre o pagamento mínimo

Desde 2017, as regras do cartão de crédito vêm mudando para evitar o acúmulo de dívidas. As alterações foram acentuadas a partir de junho deste ano, quando mudou a regra que fixava o pagamento mínimo em 15% do total da fatura. Agora, bancos e empresas podem definir um percentual mínimo para cada cliente.

Outra mudança foi limitar a opção do rotativo. Antes, os clientes podiam optar por pagar o mínimo da fatura por meses seguidos, e agora só se pode pagar uma vez e, no mês seguinte, é preciso quitar a fatura total. Caso o consumidor não consiga liquidar o débito, o banco é obrigado a oferecer o parcelamento da dívida através de linhas de créditos com juros menores que os do cartão.

O cartão de crédito tem uma das taxas de juros mais elevadas do mercado, chegando a quase 500%, e é uma das principais causas de inadimplência no Brasil. Por isso, as mudanças nas regras têm o objetivo de evitar que as pessoas acumulem dívidas.

Confira as mudanças:

Como era: O pagamento mínimo da fatura era fixo em 15%

Como ficou: Cada instituição financeira pode definir o percentual do pagamento mínimo de acordo com perfil do cliente

Como era: O cliente podia optar pelo pagamento mínimo por meses consecutivos, mas o valor restante era acumulando nas próximas faturas com taxa de juros rotativa

Como ficou: É possível pagar o mínimo apenas um mês. No mês seguinte, o cliente precisa pagar o total da fatura. Para isso, o banco é obrigado a oferecer parcelamento com juros menores que os do cartão

Como era: Quem não paga nada ou paga menos que o mínimo é tido como inadimplente e entra no rotativo não regular, taxa mais alta que o rotativo regular

Como ficou: Os bancos não podem mais cobrar duas taxas de rotativo. Os inadimplentes passam a entrar no rotativo regular, mas terão que pagar multa (2%) e juros de mora (até 1% ao mês)

 

 

O fantasma do “nome sujo”

Quando você deixa de pagar uma conta, seu nome pode ser negativado

 

Um dos grandes temores da vida adulta é ter o nome sujo, mas o que exatamente é isso? Ter o nome sujo ou negativado significa que uma pessoa não realizou o pagamento de alguma conta e seu CPF foi registrado em instituições de proteção ao crédito, como Serasa Experian ou SPC.

A inclusão nos cadastros de maus pagadores é feita pela empresa que ainda não recebeu. Normalmente, é feita uma tentativa de negociação. O credor estipula um prazo para o pagamento da dívida e, caso o cliente continue inadimplente, é feita a negativação.

O que acontece quando se está negativado?

As instituições de proteção ao crédito disponibilizam a lista de maus pagadores para bancos, lojas e empresas. Negativado, o indivíduo pode ter dificuldades ao pedir empréstimos e financiamentos, solicitar cartão de crédito e até pagamento a prazo. Além disso, bancos podem cancelar cheque especial e talão de cheque.

O nome sujo também afeta a pontuação do Serasa Score, uma espécie de currículo financeiro desenvolvido pela Serasa Experian (já falamos dele por aqui). O Score serve como referência para a probabilidade de alguém arcar com seus compromissos financeiros.

Estou com nome sujo, e agora?

Para limpar o nome, é preciso quitar os débitos ou negociar o pagamento. A partir do momento em que a dívida é paga ou que o devedor negocia o pagamento com a empresa credora, ela deve solicitar a remoção no CPF do cliente da lista de negativados.

Para saber se seu nome está sujo, você pode fazer a auto consulta de CPF da Ágil Consulta, distribuidor autorizado da Serasa Experian. Além de conferir se seus dados estão no cadastro de inadimplentes, o serviço também monitora se você foi vítima de fraude de identidade, se há empresas abertas em seu nome, se há ações judiciais te envolvendo e quais empresas te consultaram.

Cadastro de bons pagadores pode melhorar acesso a crédito

O Cadastro Positivo cria um currículo financeiro com base na pontualidade de contas pagas

 

O registro de mal pagadores é bem conhecido dos brasileiros (nós já falamos sobre isso por aqui). Se o consumidor deixa de pagar uma conta, pode ser negativado em instituições de proteção ao crédito, como a Serasa Experian. Ter o nome sujo pode te impedir de conseguir empréstimos, financiamentos, contas a prazo, entre outros serviços. Mas há também a lista de bons pagadores: o Cadastro Positivo.

O Cadastro Positivo começou a valer no país em 2013 e consiste em um banco de dados com histórico de contas pagas em dia. Assim como acontece com a lista de mal pagadores, o serviço é gerenciado por instituições de proteção ao crédito.

As vantagens da lista de bons pagadores

O consumidor só terá seu nome incluído se autorizar. O cadastro registra a pontualidade no pagamento de contas como crediários, financiamentos e mensalidade de serviços como água, luz e telefone.

Com o detalhamento do currículo financeiro, a intenção é que bancos, financeiras e lojas possam oferecer melhores condições de pagamento aos bons pagadores, como taxas menores ou prazos mais longos. O Cadastro pode ser especialmente vantajoso para profissionais autônomos, com dificuldade para comprovar renda.

A experiência do Cadastro Positivo em outros países mostra as vantagens da adesão ao sistema: nos Estados Unidos, o acesso a financiamentos subiu de 40% para 80% dos clientes. No Chile, o cadastro melhorou o acesso de mulheres ao crédito e no México, subiu o acesso da população de baixa renda.

Como fazer seu Cadastro positivo

Várias instituições financeiras e bancos oferecem o serviço de Cadastro Positivo. Na Serasa Experian, por exemplo, a inclusão na lista pode ser feita gratuitamente pelo site, agência ou carta.

As informações de pagamento passam a ser incluídas no banco de dados (o cadastro disponibiliza apenas informações de compromissos assumidos e pagamentos, sem detalhar como dinheiro está sendo gasto).

Na hora de pedir um empréstimo, financiamento, carnê ou compra a prazo, bancos e lojas vão checar seu histórico financeiro e, tendo um Cadastro Positivo, a negociação pode ser mais vantajosa para você.

Idosos estão muito mais inadimplentes com contas de água, luz e gás do que o restante da população, revela Serasa

Atrasos no pagamento de contas básicas representam 34,30% das dívidas dos brasileiros acima de 61 anos em julho de 2018. No índice geral, considerando todas as faixas etárias, esse percentual é de 19,40%

 

Os dados apurados pela Serasa Experian em julho de 2018 revelam um comportamento de inadimplência entre os idosos muito diferente do padrão de dívidas em atraso que prevalece entre os adultos mais jovens no país. Os compromissos que os brasileiros acima de 61 anos mais deixaram de pagar são as contas básicas de água, energia e gás (34,30%), sendo que esse débito no índice geral da população corresponde a 19,40% do total, uma diferença de 14,9 pontos percentuais.

Na sequência da composição dos orçamentos dos idosos que operavam no vermelho, no sétimo mês deste ano, aparecem as pendências com bancos e cartões (27,80%), telefonia (10,70%), financeiras e leasing (9,00%), varejo (7,40%) e serviços (6,00%). Já o perfil médio dos inadimplentes no Brasil aponta que a maior parte das dívidas em aberto se concentram junto a bancos e cartões (28,50%) e na continuidade figuram as contas básicas (19,40%), varejo (12,60%), telefonia (11,60%), serviços (10,40%) e financeiras e leasing (10,00%), conforme demonstrado na tabela:

Números da inadimplência entre idosos

O sétimo mês de 2018 contabilizou 8,8 milhões de idosos que deixaram de pagar em dia seus compromissos – um aumento de 10% em relação ao apurado no período correspondente do ano passado (8 milhões).

O valor do montante de contas em atraso entres os inadimplentes na faixa etária acima de 61 anos também subiu, e atingiu R$ 41,1 bilhões. Isso resulta em uma dívida média de R$ 4.668,00 por idoso. Confira mais detalhes no comparativo anual a seguir:

Apesar de não ser a mais elevada entre as faixas etárias, a inadimplência entre os idosos foi a que mais cresceu nos últimos dois anos. Do total de pessoas no país com mais de 61 anos, 35,1% delas estavam com o orçamento no vermelho em julho de 2018 – uma evolução de 2,6 pontos percentuais frente ao resultado de julho/2016.

Na avaliação dos economistas da Serasa Experian, o comportamento que predomina entre os idosos na hora de buscar crédito e a consequente condição de inadimplência observada entre esse segmento da população refletem o impacto da crise econômica no bolso do brasileiro. Diante da reversão da recessão em ritmo mais lento do que o esperado, um número maior de aposentados ou pensionistas com mais de 61 anos passou a ajudar o orçamento de suas famílias, ao usar empréstimos consignados. A consequente redução da renda, comprometida com esse tipo de dívida, leva o idoso a abrir mão da regularidade no pagamento de outras despesas fixas do mês – como as contas de luz, água e gás.

Inadimplência dos idosos por Estados brasileiros

São Paulo (21,4%), Rio de Janeiro (12,2%) e Minas Gerais (9,9%) permaneceram, em julho de 2018, nas três primeiras posições do levantamento estadual (tabela a seguir), com as maiores participações no número de idosos inadimplentes no país.

Comparados com seus respectivos resultados no ranking apurado no mesmo mês de 2017, os três Estados também apresentaram alta no total de brasileiros acima de 61 anos com dívidas em atraso.

 

Fonte: Serasa Experian

Serasa Score: o que é e como funciona

A pontuação indica quem tem mais ou menos probabilidade de pagar suas contas

O Serasa Score é um sistema de pontuação feito a partir de hábitos de pagamento e relacionamento com o mercado de crédito. A contagem vai de zero a mil, e quanto maior o Score, maior a probabilidade de que a pessoa vai honrar seus compromissos financeiros.

Bancos e empresas que trabalham com crédito costumam consultar o score de clientes, usando como referência para saber quais consumidores são confiáveis. É como um currículo financeiro que dá mais segurança em negociações.

Se você for fazer um financiamento, empréstimo, pedir cartão de crédito ou até mesmo parcelar uma compra, é provável que seu Score seja levado em conta na aprovação ou não do seu pedido.

Os dados são coletados pelo CPF. É através desse documento que a Serasa acompanha as movimentações financeiras dos indivíduos.

 

Como o Serasa Score é calculado

São vários fatores que aumentam os pontos: pagar as contas em dia, ter o nome limpo, um histórico de dívidas negativadas e manter os dados cadastrais atualizados junto à Serasa e outras instituições.

Seu histórico financeiro também é considerado na soma do Score. Quem não tem conta bancária, contas como água, luz ou telefone em seu nome ou que não movimenta muito seu dinheiro pode ter uma pontuação baixa. Nesse caso, pela falta de informações financeiras ligadas ao CPF.

Saber seus pontos e como são usados te dá maior controle sobre sua vida econômica. Você pode consultar seu Score Serasa gratuitamente. É bom saber também que outras instituições de proteção ao crédito têm pontuações próprias que podem ser usadas pelas empresas.

Total de famílias endividadas sobe em agosto e chega a 60,7%

Em relação ao mesmo mês de 2017, porém, houve queda de 0,5 ponto percentual

Maria Cristina Frias

A proporção de famílias brasileiras com dívidas subiu pelo segundo mês consecutivo em agosto, e chegou a 60,7%, segundo a CNC (confederação do comércio).

Na comparação com o mesmo período de 2017, porém, houve queda de 0,5 ponto percentual no indicador.

“É um crescimento pequeno, de 1,1 ponto, mas é positivo porque mostra uma disposição maior em adquirir crédito, o que movimenta setores como o varejista de bens duráveis”, diz Marianne Hanson, economista da entidade.

A tendência deve se manter para os próximos meses, mas o quadro eleitoral indefinido pode afetar negativamente o dado.

“O segundo semestre sempre é mais forte por conta das datas comemorativas e da geração de vagas temporárias, mas o movimento deverá será moderado por conta do baixo crescimento econômico.”

 

Fonte: Folha de S. Paulo

Brasil tem ‘uma Itália’ de inadimplentes

Total de pessoas com contas atrasadas, que atingiu 63,4 milhões, é quase equivalente à população do país europeu; embora mais pobres ainda representem maior parte dos afetados, índice de inadimplência cresce nas faixas de renda superior

 

O Brasil nunca teve tantos inadimplentes. Em julho, o total de brasileiros com dívidas em atraso chegou a 63,4 milhões, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), contingente quase equivalente à população da Itália. O número assusta, porque a série histórica mostrava uma melhora na inadimplência de março a setembro de 2017, diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. No entanto, a reversão das expectativas da economia afetou essa trajetória.

Os mais pobres ainda são os que mais devem, mas é entre as famílias de maior renda que a inadimplência tem resistido, indica a mais recente pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Enquanto o porcentual de famílias de menor renda com dívidas pendentes caiu de 29%, em julho de 2017, para 26,7%, agora, no grupo com renda superior a dez salários mínimos, o índice de inadimplentes alcançou 10,8%, ante 10,6% do mesmo mês do ano passado.

Sempre emprego

A paulistana Júlia H.P., que pediu para não revelar o sobrenome, espelha essa classe mais alta que está com contas atrasadas. Autônoma, recebia cerca de R$ 15 mil na empresa em que trabalhava, mas perdeu o emprego quando engravidou.

A situação piorou quando Júlia foi abandonada, durante a gestação, pelo pai de seu filho. “Foram cinco meses sem trabalho e sem licença-maternidade. Como tinha acesso fácil a crédito, usei tudo. Fiquei devendo condomínio, internet, cheque especial, empréstimo bancário, carta de crédito… tudo.”

De volta ao mercado de trabalho, ela tenta agora se reestruturar, apesar do salário mais baixo. Refinanciou o carro e fez novo empréstimo no banco para pagar as contas mais urgentes. “Minha dívida no cheque especial ainda é surreal.”

 

Comportamento não muda conforme a renda

A economista-chefe do SPC Brasil, explica que, em geral, o comportamento dos endividados não muda conforme a renda. “As classes altas têm mais margem de manobra, mas, em grande parte das vezes, quanto mais a pessoa ganha, mais gasta.” Economista da CNC, Marianne Hanson lembra que as famílias de maior renda têm acesso a crédito de melhor qualidade, com juro menor e prazo maior.

Para os especialistas, no entanto, a crise não ensinou muito aos brasileiros em termos de controle de gastos ou consumo consciente. “A gente achou que a crise promoveria mudanças de comportamento, mas isso só ocorreu no curto prazo. No longo prazo, mais estratégico, nada mudou”, lamenta Marcela, do SPC Brasil.

 

Fonte: Estadão